
Revoltado com os números da pesquisa “tendenciosa” realizada em Imperatriz e apresentados pelo Ibope nesta quinta-feira, 23, pela TV Mirante/Globo, o candidato a prefeito de Imperatriz pelo PT, o Jornalista, Adalberto Franklin, disparou todo o seu repúdio em carta aberta à imprensa. Confira na íntegra o que diz a carta.
É de fazer corar de vergonha qualquer pessoa sensata o resultado da pesquisa do Ibope divulgada ontem à noite pela TV Mirante/Globo sobre as eleições municipais de Imperatriz.
Nem mesmo quando esteve a tiracolo do ex-governador Jackson Lago, com apoio da estrutura do Governo do Estado e o empenho de praticamente todos os partidos aliados não sarneystas, o então candidato Sebastião Madeira teve tanto “ibope” como o que aponta agora o instituto do suspeitíssimo Carlos Augusto Montenegro, hoje um dos homens mais ricos do país por conta de negócios ilegais.
Nas eleições de 2008, como candidato do governador Jackson, que vinha realizando grandes obras na cidade, e por se apresentar como candidato que se opunha à família Sarney, Madeira tinha a simpatia da população imperatrizense, que rejeita veementemente a oligarquia Sarney. Apesar de todo esse conjunto de vantagens, o atual prefeito foi eleito com percentual bem menor do que lhe dá o Ibope nesta pesquisa.
Agora, com o desgaste de uma gestão muito criticada pela população, principalmente por seu fracasso em relação à melhoria dos serviços de saúde e por deixar os bairros abandonados, e ainda pelo agravante de ter se aliado à família Sarney, além de diversas denúncias de irregularidades na contratação de serviços e obras, Madeira é apontado como detentor de uma intenção de votos próxima de 60%.
Eu, que tenho percorrido muitos bairros periféricos da cidade na condição de candidato a prefeito, e conversado, tenho me deparado com a imensa reprovação da atual administração municipal e o asco que grande parcela de populares demonstram quando apenas se menciona o nome do prefeito.
Não vejo qualquer lógica nesses números do Ibope. Para mim, é apenas mais uma trama desse instituto de pesquisas que tem a suspeitíssima Rede Globo como acionista, o marginal Montenegro como “capo” e, no Maranhão, a família Sarney como principal “cliente”.
Esses “erros” – manipulação, melhor dizer -- do Ibope vêm sendo denunciados por uns poucos órgãos de imprensa e alguns jornalistas desde o período militar. Desde esse tempo até hoje, o Ibope tem protagonizado erros acima de até 20 pontos, o que deanota a falta de cientificidade de seu trabalho, ou, então, de sua má-fé, de fraude mesmo. Um caso clássico, que entrou para os estudos das melhores escolas de estatística do país como estudo de caso, foi o das eleições de 1998 no Maranhão, um caso vexatório em que o Ibope “previu que a governadora Roseana Sarney seria reeleita com 70% do total de votos, e ela estacou em 48,8% - uma diferença de 21 pontos percentuais que fariam uma instituição séria corar de vergonha e pedir desculpas ao público”, diz Sérgio Buarque de Gusmão, presidente do Instituto Gutenberg, que ironizou essa situação dizendo que “ou melhoram a aritmética ou contratam uma cartomante”.
Leonardo Meneghetti, diretor-geral do Grupo Bandeirantes, no Rio Grande do Sul, comenta as “derrapadas” do Ibope dizendo que “isso ultrapassa todos limites aceitáveis. É um erro atrás do outro e ninguém faz nada”.
Gusmão afirma que “a mídia é cúmplice. Se os institutos erraram, os grandes e influentes meios de comunicação que publicaram pesquisas ampliaram os equívocos, ao praticar um jornalismo desleixado e irrespon-sável. Em vez de proteger as mazelas dos institutos, das quais foram cúmplices na divulgação de dados errados, esses meios de comunicação deveriam zelar pela boa informação de quem compra notícias”.
Em artigo publicado em agosto de 2010, o ex-governador José Reinaldo Tavares elencou “o extenso histórico de erros do Ibope nos prognósticos eleitorais no Maranhão”. Lembrou ele que “nas eleições para governador do Estado, em 2006, o Ibope também foi contratado pela TV Mirante para avaliar o cenário das intenções de voto no Maranhão. Todas as pesquisas foram desmentidas pelas urnas. Uma delas, publicada por ‘O Estado do Maranhão’ em 14 de agosto daquele ano, afirmava que ‘70% dos maranhenses dão como certa vitória de Roseana Sarney’. Jackson Lago (PDT), eleito governador no segundo turno daquele ano, aparecia com tímidos 12% dos eleitores.
Diz ainda o ex-governador que no dia 13 de agosto de 2010, “o Ibope divulgou que a candidata Roseana aumentava sua vantagem sobre Jackson Lago, chegando a 70% dos votos válidos. [...] Jackson Lago ficaria em segundo lugar, com 21% dos votos, uma diferença de 42 pontos percentuais em favor da senadora. Segundo a pesquisa, Roseana Sarney venceria no primeiro turno”. Todos sabem que ela perdeu.
Outro erro do Ibope, na mesma eleição: em 29 de agosto, uma pesquisa sobre o cenário estimado para as eleições do Senado, apontou o candidato do PT Bira do Pindaré (em que eu era o segundo suplente de Bira) como o mais rejeitado entre os postulantes. Nas urnas, ele apareceu com mais de 500 mil votos e foi a grande surpresa da eleição.
Em Imperatriz, a farsa tenta se impor, com os mesmos métodos de manipulação da opinião pública, em que os dados construídos servem para tentar induzir a opinião pública, através da divulgação massiva desses “resultados” pelos meios de comunicação, especialmente os comprometidos com com a oligarquia.
De minha parte, tenho o agravante de sempre ter sido opositor dessa oligarquia, tanto como jornalista quanto como cidadão e ser político. Milito no campo denominado “Resistência Petista”, que se opõe à aliança entre PT e PMDB (partido de Sarney), e ainda tenho o agravante de ter sido mencionado duas vezes no livro “Honoráveis Bandidos”, de Palmério Dória, como jornalista que investigou “a conexão maranhense” de Roseana Sarney com o banqueiro Edemar Cid Ferreira, que faliu o Banco Santos e foi preso por inúmeros crimes financeiros.
Assim, não espero que o Ibope me dê qualquer votação, como de fato afirma que não pontuei, que tenho 0% de intenção de votos. Sei que isso não é verdade, porque os partidos fazem pesquisas para orientação interna. E numa destas, feita pela direção nacional do meu partido, o PT, antes mesmo das convenções, eu já pontuava. E depois, em várias outras, de outros partidos inclusive, demonstrava-se o crescimento das intenções de voto de minha candidatura. Os votos a mim e ao meu partido serão conferidas pelo mais eficiente instrumento de medição: as urnas, no dia 7 de outubro. Aí, então, poderemos verificar que mais uma vez o Ibope construiu uma farsa no Maranhão.
Parafraseando o poeta João do Vale, o problema não sou eu, é Mané, é João, que não sabem disso e podem deixar se levar pela mentira e pela manipulação.
Por uma Imperatriz livre da mentira e do engodo, lutemos pela verdade.
Adalberto Franklin
(Por: Candidato do PT a prefeito de Imperatriz)








