Construções verticais mudam paisagem urbana de Imperatriz

No Nordeste, o Maranhão apresenta a maior taxa de verticalização. Está acima da média nacional, que é de 43%. Na região, esse número chega a 48%.

Postado em 07/08/2012 às 13:37

A verticalização das construções residenciais e comercias em Imperatriz vem transformando a paisagem urbana da cidade. Nos últimos 10 anos, locais que tinham apenas edificações horizontais agora têm empreendimentos imobiliários de grande estatura. E o número de projetos de construções verticais não para de crescer.

Esta é uma tendência nacional. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que um em cada 10 brasileiros mora em apartamentos.

A primeira impressão leva ao pensamento de que isto só acontece em grandes metrópoles. Porém, as cidades médias do Norte do país estão liderando em número de unidades.

Os números do Censo Demográfico de 2010 demonstram mudança de postura quanto à escolha da moradia. A taxa de crescimento de unidades em Rondônia, por exemplo, é 15 vezes superior à de São Paulo.

No Nordeste, o Maranhão apresenta a maior taxa de verticalização. Está acima da média nacional, que é de 43%. Na região, esse número chega a 48%.

Segundo o IBGE, no total, o estado tem apenas 3% do número de apartamentos no Nordeste, mas a taxa de crescimento no último censo foi a maior. O estado conta com 28.636 apartamentos habitados. Destes, 1.328 estão situados em Imperatriz.

Segundo o Secretário de Desenvolvimento Social de Imperatriz, Sabino Costa, o boom imobiliário é resultado das características da cidade.

“Imperatriz tem localização privilegiada do ponto de vista da logístic. Nós estamos às margens da Belém-Brasília e da Ferrovia Norte-Sul. Somos uma cidade-polo. Atendemos em torno de 1,5 milhão de pessoas, entre habitantes de Imperatriz e cidades circunvizinhas que de alguma forma consomem produtos e serviços aqui”, explicou o secretário.

Sabino Costa destacou também a instalação das fábricas da Coca-Cola, Suzano Papel e Celulose e mais a chegada de empreendimentos comerciais, como o Imperial Shopping Center, que juntos devem gerar milhares de empregos.

“Isso está provocando uma alteração no perfil da cidade, que consequentemente vai gerar uma demanda por habitações para as pessoas que estão chegando de fora”, exemplificou o gestor.

Histórico - O consultor imobiliário Ademar Mariano, proprietário de uma das imobiliárias mais antigas da cidade, disse que as primeiras edificações com vários andares foram construídas na década de 1980.

“Os primeiros foram os edifícios Juçara I e II, que ficam em frente onde era a Broadway [danceteria], na Rua Hermes da Fonseca. Depois, vieram o La Ville, GranVille, Quinta Avenida, Mirantes do Rio e Centro Empresarial, todos com elevador. Mais tarde, ainda foram construídos o SunsetBoulevard e o Cinco Estrelas, sem elevador”, enumerou o consultor.

Ademar Mariano disse que o mercado imobiliário em Imperatriz foi afetado pela crise econômica instalada no país com insucesso de planos econômicos e a interrupção da extração do ouro em Serra Pelada e transferência das madeireiras instaladas na região que tinham Imperatriz como ponto de apoio.

“As famílias desses trabalhadores moravam na cidade. Dessa maneira, o dinheiro que eles ganhavam lá era mandado para cá, movimentando a economia local”, explicou o consultor.

Esses fatores provocaram um hiato de 15 anos sem construções verticais em Imperatriz. A retomada aconteceu nos anos 2000. Nos primeiros anos do novo milênio, o mercado teve um superaquecimento, provocando uma explosão de empreendimentos para atender a demanda reprimenda do período sem construções.

Ademar Mariano lembrou que, na época, temia-se que o processo resultasse em uma bolha imobiliária, semelhante à que levou o setor de imóveis nos Estados Unidos a quebrar, em 2007.

“Esse processo está estabilizado. Não chegaremos a uma quebradeira do mercado. A princípio, houve esse atendimento em razão da demanda reprimida, o que se chama de bolha, que é uma fase de consumo muito grande fora da normalidade”, analisou o consultor.

Edificações seguem tendência

As construções verticais em Imperatriz seguem uma tendência de empreendimentos com alto padrão que unem o conforto e a segurança presentes em condomínios fechados e as opções de lazer de um clube, como espaço para prática de exercícios físicos e várias opções de áreas de vivência.

A construtora Aracati Construções, com 32 anos de mercado, lançou recentemente projeto que, de acordo com a empresa, sintetiza esse conceito: o Maximus Club Residence, pensado para agregar moradia, lazer e bem-estar, em um só espaço.

A segurança é um dos principais atrativos neste tipo de moradia. Sandro Marcos Lemos mudou-se para cidade há cinco anos e escolheu o apartamento como forma de moradia.

O executivo da distribuidora de energia do Maranhão admite que as opções de lazer e relaxamento também pesaram na sua decisão. “Tivemos outras motivações, tais como: academia, piscina, quadras, com custo dividido entre 48 moradores, ou seja, com custo compartilhado”, justificou.

As construtoras também aproveitam a ascensão da classe C. A facilidade no financiamento possibilitado pelo Projeto Minha Casa, Minha Vida tem contribuído para o aumento do número de empreendimentos.

Segundo o consultor imobiliário, Goldman Arouche, é muito simples fazer um financiamento. “Com todos os documentos em mãos, não existe dificuldade. Quando a pessoa procura uma consultoria, o atendimento é facilitado”, disse.

Uma das áreas mais promissoras para encontrar imóveis desse perfil fica nas proximidades da Avenida Newton Belo.

Fonte: O Estado do Maranhão

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