
A espera já dura sete anos. Mas na próxima semana os 38 réus do maior escândalo político da história recente do Brasil começarão a ser julgados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) pelo envolvimento no mensalão. De acordo com os ministros do tribunal, até meados de setembro, o país conhecerá os nomes dos culpados e inocentes e do tamanho das penas decorrentes de crimes como peculato, formação de quadrilha, corrupção ativa e passiva, gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ia muito bem em seu primeiro mandato até o escândalo estourar em 2005, quando uma guerra interna entre o ministro da Casa Civil, José Dirceu, e o deputado federal Roberto Jefferson (PTB-RJ) por fatias de poder no governo resultou na denúncia do parlamentar sobre o que supostamente acontecia nos bastidores da relação do Planalto com sua base no Congresso e do PT com os partidos que gravitavam em torno de Lula.
Em dois depoimentos históricos na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara e na CPI dos Correios, Roberto Jefferson apontou Dirceu como mandante de um esquema de compra de votos e distribuição de recursos para pagamento de contas de campanha.
Ao longo do segundo semestre do mesmo ano, Jefferson, Dirceu e o ex-presidente do PP Pedro Corrêa (PE) tiveram seus mandatos de deputado federal, cassados. Uma Comissão Parlamentar de Inquérito foi criada e sugeriu o indiciamento de políticos, publicitários e donos de instituições financeiras. Aliado ao relatório das investigações feitas pela Política Federal, o texto da CPI embasou a peça acusatória feita pela Procuradoria Geral da República e acatada pelo ministro-relator do caso no STF, Joaquim Barbosa.
As peças de acusação que apontam a existência de um esquema de pagamento de mesadas à base aliada do então governo Lula e troca de votos no Congresso Nacional foi costurada a quatro mãos. A matéria começará a ser julgada a partir da próxima quinta-feira, 2 de agosto, no STF, e é fruto de um trabalho elaborado pelo ex-procurador-geral da República Antonio Fernando de Souza e o atual, Roberto Gurgel. O texto aponta a existência de um “plano criminoso voltado para a compra de votos dentro do Congresso Nacional”, tendo como comandante Dirceu. O processo conta com mais de 50 mil páginas, mesmo assim, não responde a várias perguntas que cercam um caso ainda envolto pela névoa.
Informações: Correio Braziliense








