Liciane Costa Nascimento, assistente social há cinco anos no Centro de Atenção Psicossocial de Grajaú (CAPS) diz ter sido demitida por Marcelo Otsuka, irmão do prefeito Júnior Otsuka, por não adesivar o próprio carro com o candidato a reeleição para deputado estadual, Antônio Pereira.

Entrevistada por este Jornal, Liciane já é a terceira ex-funcionária a declarar ter sido excluída da gestão municipal por não apoiar os candidatos do prefeito. Tudo começou em 18 de agosto. A ex-funcionária foi convocada por Marcelo Otsuka a se apresentar em sua sala, no Hospital Itamar Guará e lá foi interrogada sobre suas preferências políticas. “Chegou ao ouvido dele de que eu tinha preferência pelo Flávio Dino e pela Simone, por isso fui chamada para a conversa”, disse.

Liciane nunca escondeu que Júnior Otsuka foi eleito para ser a mudança que Grajaú precisava e que, justamente por isso achou estranho vê-lo apoiar Edinho Lobão para governar o estado. “Otsuka chegou para libertar Grajaú, mas infelizmente não é isso que está acontecendo; agora nessas eleições todos fomos pegos de surpresa com ele apoiando a oligarquia Sarney”. Ela chegou a receber o adesivo para colar em seu carro, não o fez e recebeu uma punição alta pela sua decisão. “Marcelo Otsuka fez uma reunião lá no CAPS para todos adesivarem o carro, como eu não adesivei, ele voltou a me chamar em sua sala para saber o motivo e foi nesse momento que fui demitida a mando do prefeito”.

A mulher ainda voltou atrás em sua decisão, após uma conversa com sua família e chegou a entrar em acordo com Marcelo de que adesivaria o seu carro, mas já era tarde. O irmão do prefeito não mais atendeu suas ligações ou mensagens de celular. Até hoje Liciane ainda não recebeu o comunicado oficial de sua demissão. “Ele sabe que é ilegal fazer esse tipo de aliciamento, por isso nunca me deu o documento”.

Depois de tudo isso, a assistente social não espera mais voltar a trabalhar no local enquanto Marcelo Otsuka for o responsável pelas demissões no Poder Executivo Municipal. “Foram cinco anos de trabalhos prestados e foi o tempo suficiente para eu amar aquela instituição. Eu seria eternamente ser voluntária do CAPS, mas infelizmente enquanto o Marcelo estiver mandando eu não irei voltar”. Mesmo perdendo o emprego, Liciane se sente livre para dizer o que sente sobre o Governo de Júnior Otsuka. “Como cidadã eu espero algo melhor pra nossa sociedade; muitos clamaram pedindo mudança e essa mudança foi colocada nas mãos desses que aí estão, mas não foi o que a gente esperava, uma ditadura, mantendo os funcionários na rédea curta, de boca calada”.

Assédio moral

Obrigar funcionários a votar em candidatos do patrão configura assédio moral. Como consequência o funcionário pode ser indenizado. Esse tipo de crime caracteriza-se por condutas que evidenciam violência psicológica contra os empregados. No âmbito federal, o Brasil ainda não possui regulamentação jurídica específica, mas o assédio moral pode ser julgado por condutas previstas no artigo 483 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).