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Manaus e a tragédia brasileira

“Você não mora em Manaus, então não pode falar de Manaus”, nessa lógica não podemos falar da Venezuela, pois não moramos lá. Ignorando esses argumentos rasos, vamos aos fatos de Manaus, responsabilidades e como vai se refletir em todo o país.

Então vamos aos fatos. Wilson Lima (PSC), governador do Amazonas, apoiou e foi apoiado por Jair Messias Bolsonaro (PSL na época), e saíram vitoriosos nas eleições de 2018. Em Manaus, Bolsonaro teve 66% dos votos no segundo turno. Pouco antes do Natal passado, um decreto daquele estado decretou o fechamento de todos os comércios não essenciais, em Manaus por 15 dias a partir de 26 de Dezembro de 2020. Nessa mesma data, comerciantes e apoiadores bolsonaristas fizeram um grande movimento para que o Governador amazonense recuasse do decreto, e ele recuou.

Seguindo os fatos já em 2021, Eduardo Pazuello nosso Ministro da Saúde visitou a capital amazonense para promover o tratamento precoce contra a COVID-19, usando Cloroquina, sem comprovação científica e já rejeitada pelas principais nações do mundo, mas que no início da pandemia foi comprada aos montes pelo governo brasileiro, com valor seis vezes maior que vendida no mercado. Remédio esse que em várias literaturas médicas recentes comprovam tanto sua ineficiência, quanto a possibilidade do agravamento dos quadros dos infectados.

De lá até agora foi só ladeira abaixo, Manaus viveu o choque com a falta de oxigênio, doentes tiveram que ser transferidos para outros estados, cemitérios sem vagas, culminando em toque de recolher e doentes graves sendo tratados de improviso em casa, pelos próprios familiares para não morrerem a míngua. A média de óbitos cresceu 182% em sete dias, vários profissionais da saúde tiveram que ser afastados devido contágio, com alguns vindo inclusive a falecer.

No dia 16 de janeiro deste ano, em live, o presidente Bolsonaro pediu calma e não manifestou nenhuma empatia ou solidariedade ao povo amazonense, apenas apontou culpados, fugindo de sua responsabilidade compatível com o cargo que está. Muitos lendo esse texto irão argumentar, “mas qual a responsabilidade do presidente com tudo isso? A culpa é do governador amazonense corrupto.” Desmerecendo as muitas notícias falsas disseminadas sobre as responsabilidades em Manaus, vamos a mais fatos. O hospital de referência da capital do Amazonas é um hospital FEDERAL, quem manda no governo federal? Caro leitor, o SUS é federal e todo oxigênio que faltou nessa rede é de responsabilidade direta do governo? O Ministro de qual governo promoveu o usos da Cloroquina e nos dias seguintes teve suas declarações refletindo em agravamentos e óbitos de muitos manauaras que por conta própria, e em desespero seguiram as recomendações de “Pezadello”, replicadas por fanáticos através de inúmeras notícias falsas nas redes sociais?

O governo brasileiro pediu ao governo dos Estados Unidos da América uma aeronave emprestada, para transportar cilindros de oxigênio para Manaus, e não houve resposta. Com isso a FAB (Força Aérea Brasileira), começou a utilizar aviões do Exército para transportar oxigênio rumo ao Amazonas e pacientes a outros estados da federação, escancarando a mentira do governo federal, que negava ajuda alegando não ter o que fazer, sendo que parte da frota aérea do Exército estava servindo apenas para transportar candidatos às presidências da Câmara e Senado federal, tanto pró como contra Bolsonaro, porém com esses usos avalizados tanto pelo Exército quanto governo federal.

Nosso vice-presidente, Hamilton Mourão veio a público afirmar que são episódios imprevistos, em relação à tragédia que se abateu sobre nossos irmãos manauaras. Porém recordo que em 22 de Março de 2020, o na época Ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, anunciou tal colapso na saúde pública nacional e que os mortos chegariam a cento e oitenta mil. Já passamos dos duzentos mil, e o cenário é bem pior se levarmos em conta as subnotificações.

Se a vacinação não for rápida e disponível para todos, como não quer o presidente Bolsonaro, bastando fazer um retrospecto de todas as suas falas e ações do início da pandemia até aqui. Poderemos tão logo ultrapassar a marca dos trezentos mil brasileiros mortos e apesar dessa responsabilidade ser compartilhada, entre os muitos corruptos que desviram recursos do combate a COVID-19, somada a falta de senso de nós brasileiros, teve maior peso do governo federal que tentou e tenta sabotar toda forma conter o vírus, induzindo debates desnecessários que desestimularam a nação aos cuidados devidos, bem como tentou barrar o financiamento, criação, fabricação e liberação, bem como agora a aquisição e acesso as vacinas para todos. O que temos até o momento foi fruto de muita pressão, não teve uma ação proativa por parte de quem está ocupando a maior função pública de nosso país.

Não existe tragédia pouca e o caos é nacional, então encerro citando Merval Pereira, acadêmico da academia brasileira de letras, que em um brilhante artigo publicado esta semana diz, “agora são os brasileiros, que em razão da peste açoitando sem controle o país, passam a ser afugentados, recusados nas principais cidades do mundo. Viramos cães pirentos, por causa de um capitão sem noção.”.

 

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