A declaração é do diretor do Hospital São Francisco de Assis, Aleksander Costa, em entrevista ao Jornal Grajaú de Fato, logo após a reunião com o Governo do Estado do Maranhão em São Luís, para resolver o impasse do fechamento da maternidade. Segundo Aleksander, “o hospital tira dos ricos para dar aos pobres”. Em seguida ele explicou do que se trata. “O que ganhamos com os poucos serviços particulares que temos, revestimos em serviços e manutenção do hospital para atender a demanda do Sistema Único de Saúde (SUS)”, afirmou.

O diretor destacou que todo o dinheiro arrecadado em serviços particulares pelo Hospital São Francisco fica na própria unidade de saúde. “Não temos sócios, não dividimos dinheiro e nem enviamos valores para a Sociedade São Camilo, pelo contrário, é a São Camilo que envia recursos para cá”.

Aleksander comentou ainda que os serviços particulares prestados pelo São Francisco são bem abaixo dos valores de mercado, fato que de acordo com ele leva o hospital a não obter lucro algum. “Uma cesária em Imperatriz custa R$ 10 mil no Hospital São Rafael, aqui nós fazemos por R$ 2 mil no máximo R$ 2,5 mil que é só para cobrir os custos mesmo do hospital que é só para manter os enfermeiros, pagar energia elétrica, os medicamentos. Aqui é uma instituição que não vemos lucro e o fazemos apenas para continuar sobrevivendo”.

Plano operativo sem maternidade

Uma das propostas do secretário de saúde do município, Marquinho Jorge, de acordo com Aleksander, foi assinar o plano operativo sem a maternidade. A proposta não foi aceita pelo Hospital São Francisco. Isso significaria o fim dos serviços obstetrícios de comum acordo com a Prefeitura. “Eu não ia assinar um plano operativo sem a maternidade, porque esse serviço é também uma parte do hospital, é cultural, está há vários anos aqui, muitas pessoas nasceram nesse hospital. Faz parte da história de Grajaú e da região”, justificou a decisão.

A reportagem também questionou o diretor sobre as declarações do secretário municipal de Desenvolvimento Rural, Aquicultura e Pesca de Grajaú, Antônio Carlos Araújo de Almeida, sobre a produção do mês de dezembro do Hospital São Francisco. No perfil do Grajaú de Fato no Facebook, Antônio Carlos disse que o hospital teria produzido R$ 128 mil em dezembro e recebeu o repasse da Prefeitura Municipal no valor de R$ 242 mil. Em sua fala, o secretário pediu para o hospital mostrar a sua produção.

Aleksander explicou como funciona o contrato do HSF pelo SUS. “Nosso contrato não é de produção. As entidades filantrópicas têm metas físicas, quantitativas e qualitativas. Se não produzirmos algumas metas de qualidade, como por exemplo, cuidados com infecção hospitalar, taxa de cesarianas, eles podem cortar o recurso. O valor é fixo e está no contrato bem especificado. Não pode mexer no valor. Só se mexe se não atingimos as metas, mas nós temos atingido todas as metas”.
Sobre dezembro, ele explicou. “Dezembro é um mês parado. Tem Natal, Ano Novo, as pessoas viajam, os médicos viajam e claro que a produção cai nesse período. Semana de Natal e Ano Novo só vai ao hospital quem realmente precisa de uma emergência. Façam uma pesquisa e averiguem que nos três hospitais de Grajaú houve queda de produção”.

Rede Cegonha
Ainda questionamos Aleksander sobre o programa Rede Cegonha do Governo Federal que não existe no Maranhão. Trata-se de uma estratégia do Ministério da Saúde que vista implementar uma rede de cuidados para assegurar às mulheres o direito ao planejamento reprodutivo e a atenção humanizada à gravidez, como pré-natal, parto e nascimento, atenção integral à saúde da criança e sistema logístico como transporte sanitário e regulação.

O programa nunca recebeu atenção do Governo do Estado em gestões passadas. Nenhum hospital do Maranhão está habilitado a receber os serviços. O Hospital São Francisco enviou o projeto em 2012 a Brasília, mas não foi incluído. Aleksander acredita que agora o projeto pode se tornar uma realidade no Estado. “Para funcionar os três entes, municipal, estadual e federal precisam caminhar juntos, infelizmente a Rede Cegonha que é um recurso federal não era de interesse da Roseana Sarney, mas agora pode dar certo com o interesse do novo governo”.