A cinco dias para completar dois meses de ocupação irregular, as mais de cem famílias que moravam nas casas do Conjunto Habitacional “José de Andrade Arruda”, no Bairro Expoagra, obra do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do Governo Federal, foram retirados das casas, pela Polícia Militar de Grajaú e Barra do Corda, no comando do capitão Jean Levi, apoio da Secretaria de Ação Social, Companhia Municipal de Trânsito, coronel Alcino Batista e serventuários da Justiça da Comarca de Grajaú. A Polícia retirou as famílias, na manhã desta segunda-feira, 14, em cumprimento à Liminar de Reintegração de Posse, expedida pelo titular da 1ª Vara da Comarca de Grajaú, Dr. Holídice Cantanhede Barros, tendo como requerente a Prefeitura Municipal de Grajaú. O site Grajaú de Fato foi o único meio de comunicação do município que acompanhou todo o processo de ocupação das casas que aconteceu no dia 18 de dezembro de 2010. Naquele mês, conversamos com uma das ocupantes, Andréia da Silva Santos, 21, casada, mãe de três filhos. Ela contou que a Prefeitura de Grajaú, responsável pela seleção das famílias beneficiadas com o Programa Federal, por meio da Secretaria de Assistência Social, deu duas datas em novembro e dezembro e uma nova data em janeiro de 2011, para a entrega das casas, mas, por não cumprir as duas primeiras, as famílias decidiram pela invasão do local.
“A Prefeitura só adiava as datas. Disseram que entregariam no dia 3 de outubro, depois adiaram para o mês de novembro, aí disseram que iam entregar em janeiro. Foi por isso que o povo se revoltou e invadiu as casas’’, disse. Dois meses depois, Andréia lamenta o despejo e diz que continua sem ter para onde ir. “Agora estamos sem saber para onde ir, sem solução, esperando acontecer um milagre. O Prefeito é o primeiro a mandar todo mundo sair. “Eu não esperava por isso”, sublinhou. Andreia, porém, não está entre as pessoas cadastradas no Programa. Ela está em lista de espera como vários ocupantes do Conjunto.
Francisco de Assis, natural de Açailândia, mora em Grajaú há quatro anos. Ele disse que ocupou uma casa porque esperou uma “mãozinha” da Prefeitura Municipal em acolher ele e sua família em uma das casas do Conjunto Habitacional “José de Andrade Arruda”. “Eu morava de aluguel, mas agora não tenho dinheiro e, alugar uma casa é difícil em Grajaú, queria que o prefeito tomasse as providências para nós que estamos em plena luz do dia sem ter para onde ir. É hora de ele reconhecer o voto que demos a ele, pois, na hora que mais precisamos não somos reconhecidos”, disse Assis.CONTINUE LENDO…