ALINE LIMA RODRIGUES

Você já parou para pensar em quantas verdades se escondem por trás de respostas dadas para perguntas aparentemente comuns feitas em nosso cotidiano?

Respostas dadas automaticamente, sempre um tom de naturalidade, sem nenhuma palavrinha diferente, mas que muitas vezes trazem um sentimento camuflado em frases evasivas, que conscientemente ou não, disfarçam a realidade.

Nem todo “eu não estou nem aí”, por exemplo, é somente indiferença, muitas vezes é também sentimento, mágoa de quem se deu por vencido e por descrença ou cansaço desistiu de demonstrar que se importa.

Por trás de um “tudo bem” pode haver tristeza e dor, de um “estou brincando” muita verdade e seriedade, de um “não sei”, muito conhecimento assim como de um “estou sabendo” a mais profunda ignorância, de um “nada não”, uma infinidade de um tudo qualquer, de um “eu te amo” apenas costume, de um “também” nenhuma reciprocidade e de um “me esqueça”, a mais sincera vontade de ser lembrado, querido e desejado.

Então por que motivo dizemos coisas que não expressam o que queremos, sentimos e pensamos? Sadismo de ver o sofrido e quase sempre inútil esforço do outro em tentar adivinhar o que se passa conosco? Masoquismo pela óbvia frustração desse esforço resultar em não sermos compreendidos?
Cada um de nós com a sua bagagem, sua história emocional, seus problemas, suas angústias e desejos, sonhos e decepções, traz em si a expectativa de que os outros possam nos enxergar e compreender sem que nada precise ser dito, e de certa forma talvez algumas coisas não existam mesmo para serem ditas, mas percebidas.

Mais uma das grandes contradições humanas, queremos ser vistos, percebidos, mas nos escondemos o tempo todo. Desejamos a compreensão alheia, enquanto somos mais do que alheios e negligentes em nos fazermos compreender.

Está certo que sair falando tudo sem o menor filtro seria o caos na terra, mas convenhamos tanta solenidade e falta de profundidade não salvam ninguém do imenso caos interno que vez ou outra se instala em nossas mentes e corações.

A capacidade de percepção perante o que não dissemos pode ser algo muito frustrante. Sagacidade e sensibilidade não se encontram tão facilmente por aí meus queridos.

Buscamos a compreensão para nos trazer apoio e o alento de podermos contar com mais alguém além de nós mesmos, ser compreendido e estar menos sozinho.

Claro que as chances de não ocorrerem nenhuma identificação ou o menor entendimento são assustadoramente reais, mas talvez o que realmente nos amedronte seja justamente a possibilidade dessa compreensão realmente vir a acontecer, de alguém de fato conseguir nos desvendar.
O que sobraria de nós, além da gente mesmo, pra contar não é?

E falar da gente, sem a proteção de disfarces é algo que requer coragem para encarar a exposição e acima de tudo, uma aceitação segura e generosa de nós mesmos.

Então, meus amigos, que possamos ir além da superficialidade e do receio de verbalizar as nossas ideias, vontades e sentimentos.

Que tenhamos boas e sinceras respostas para oferecer, e que os demais não precisem sempre ficar mais atentos para o que deixamos de falar, que nos deixemos compreender, mas quando a opção for não dizer, que seja por escolha e nunca por omissão de nós mesmos ou por qualquer tipo de receio. Estamos entendidos?

*Aline Rodrigues é funcionária pública no Detran-DF. Filha do grajauense João Éden Rodrigues Lima. 

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