FÚLVIO COSTA

Uma famosa frase do mundo da administração de empresas diz o seguinte: o verdadeiro líder não é quem concentra tarefas, mas que delega. Fazendo uma reflexão sobre o dito é possível relacionar com o ambiente de trabalho e ampliar o significado da expressão: ora, se o líder não deve concentrar tarefas, na mesma linha, qualquer profissional também não. Ao contrário, urge ser colaborativo.

Colaborar com os colegas no ambiente de trabalho é o oposto de competir a qualquer custo. O funcionário que colabora tem mais chances de crescer profissionalmente por que partilha ideias e tarefas que corroboram para o desenvolvimento da empresa em que trabalha. E de ganho, compartilha conhecimento a ser aprimorado coletivamente, ou seja, todos crescem, ao passo que a competição extrema leva ao estresse e ao distanciamento no ambiente de trabalho.

Ser colaborativo também quer dizer aproveitar o conhecimento do outro para desenvolver de modo competente determinada tarefa. Isso quer dizer que um profissional tem um conhecimento e o colega pode ter outros que juntos complementam atividades.

O poder da colaboração

Tendo em vista o poder colaborativo e complementar de tarefas, é importante citar uma recente pesquisa com galinhas, feita por William Muier, da Universidade de Purdue, nos Estados Unidos. Muier isolou super-aves poedeiras, de um grupo que convivia normalmente. Após seis gerações, verificou que as super-galinhas estavam depenadas, estressadas e sem botar nenhum ovo, enquanto que as normais estavam saudáveis. O estudo constatou, portanto, que a reunião dos melhores profissionais no ambiente de trabalho não é saudável e que resultados significativos vêm de profissionais colaborativos.

“Pessoas colaborativas tornam as empresas inteligentes”

A frase acima é da chefa executiva e escritora americana Margaret Heffernan que recentemente lançou o livro, “Um prêmio maior: por que a competição não é tudo e como podemos fazer melhor”, sobre competição no ambiente de trabalho. Abaixo, cito alguns trechos da publicação que realçam bem a mensagem da autora sobre o tema.

Quem é o melhor?

“Qualquer tarefa complexa requer muito de seu cérebro. Mas o estresse prejudica especificamente o córtex pré-frontal, onde os pensamentos ocorrem. Quando nos sentimos ameaçados, simplesmente não conseguimos articular bem as coisas. A competitividade seria para criar uma atmosfera mais produtiva, no entanto, cria cenários em que você é o melhor ou o perdedor”.

Trapaça

“A competição social extrema absorve tanta energia e atenção do indivíduo que mata sua habilidade de colaborar (…). Os profissionais ficam mais preocupados em ser os melhores do que em colaborar para um bem maior e não trocam informações sobre as descobertas nem sobre as dúvidas. Quem tem dificuldade numa tarefa, em vez de pedir ajuda, esconde o problema. No limite, isso leva a comportamentos criminosos e a tentativas de sabotagem”.

Ouse discordar

“Organizações altamente competitivas têm uma hierarquia na qual o peso das palavras dos profissionais é desigual. Fica mais difícil discordar e fazer críticas, o que aumenta a possibilidade de erros aparecerem”.

Sem inovação

“Quando a competição é forte em um ambiente de trabalho, as ideias aparecem menos, as críticas não aparecem, muito menos a colaboração com os colegas. Por isso, o pensamento inovador não tem vez”.

Jornalista profissional – MTB/DF 8.674