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Freiras fecham casa religiosa que funcionou em Grajaú por 93 anos

Fecha neste mês de março de 2015 a Missão, como é conhecida a casa das Irmãs Missionárias Capuchinhas, em atividade em Grajaú desde 1922. O último endereço das religiosas foi na Cidade Alta, ao lado do campo soçaite. Mas quando chegaram ao município, primeiro moraram onde hoje é a Grota da Luz; depois passaram pelo Hospital São Francisco de Assis e Colégio Santo Antônio.

Até o início deste ano, a Missão contava apenas com duas religiosas, Irmã Aline Santos, 50 anos, e Irmã Francisca Pereira, 35, esta que chegou há três anos para integrar a fraternidade com o objetivo de ajudar na catequese na Paróquia Nosso Senhor do Bonfim (Catedral) e na Diocese de Grajaú que compreende 15 municípios. “Nosso trabalho era desenvolver uma catequese mais catecumenal, de iniciação cristã; foi um tempo bom”, disse Irmã Francisca em entrevista ao Grajaú de Fato.

Vocações

As freiras partem devido ao reduzido número da fraternidade e também pela falta de vocações. “Nós estamos saindo porque as jovens não querem mais ser freiras, não querem mais ingressar na vida religiosa”, lamenta. A falta de vocações religiosas, de modo especial femininas, não é um problema apenas em Grajaú. Dados da Agência Fides, órgão de informação das Pontifícias Obras Missionárias (POM), da Igreja Católica, dão conta de que a diminuição de religiosas é global. Em 2014, houve um decréscimo de 10.677 religiosas no mundo. Ao todo elas são hoje 702.529 nos cinco continentes. A diminuição aconteceu em 2014 no continente americano (4.288); Europa (9.051) e Oceania (232). E aumentaram na África (727) e Ásia (2.167).

Irmã Francisca diz ainda que as religiosas da Congregação das Missionárias Capuchinhas são bastante idosas. As mais jovens estão ocupadas em outras cidades, em trabalhos pastorais em paróquias e comunidades, além de escolas e hospitais. O certo é que não há número suficiente de irmãs para formarem uma fraternidade em Grajaú. “A Aline não se identifica com esse trabalho que realizo aqui, pois ela viveu mais em escolas e eu não posso ficar aqui sozinha, por isso, a Congregação decidiu fechar a Missão. Eu estou indo para Fortaleza (CE) e ela para Benjamim Constant (AM)”.

História




As Irmãs Capuchinhas Missionárias são pioneiras da educação no interior do Maranhão. Seu trabalho começou muito antes de a Congregação ser aprovada pela Santa Sé. Segundo Dom Roberto Castellanza, Grajaú “era um deserto em terra deserta” e as condições financeiras eram “paupérrimas” na época. As religiosas saíram de São Luís no dia 5 de dezembro de 1921 por vias fluviais em uma pequena barcaça puxada por um motor até Barra do Corda. Daí a Grajaú seguiram em lombos de animais acompanhadas pelo Frei Emiliano Lonatti, que depois foi bispo da então Prelazia e só chegaram no dia 18 de maio de 1922. Além de Grajaú, as religiosas capuchinhas abriram educandários, como eram chamadas as escolas na época, em Carolina, Presidente Dutra, Tuntum. Em Imperatriz, o antigo educandário hoje se chama Colégio Santa Teresinha, uma das maiores e melhores escolas da rede particular de ensino da cidade e Região, fundada em 1926.

Encerra-se, portanto, em Grajaú uma rica, bela, importante história, de modo especial no campo da educação. Mais do que nunca, as palavras do bispo Dom Adolfo Bossi, por ocasião da aprovação definitiva da Congregação as Irmãs Missionárias Capuchinhas, pela Santa Sé, se fazem atuais. “Vocês são nossas irmãs, não somente porque vivemos os mesmos ideais da vida franciscana capuchinha, mas porque companheiras de jornada apostólica dos capuchinhos da Prelazia de Grajaú; com eles partilham as lutas e as vitórias na batalha santa da cruz”.

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Redação Grajaú de Fato
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