Uma jornada de 122 anos está prestes a se findar. Pelo menos na sede da Diocese de Grajaú. Presentes nestas terras sertanejas desde 1893, os frades capuchinhos que moram aqui, Luís Giudici, pároco da Paróquia Nosso Senhor do Bonfim (Catedral) e os vigários paroquiais João José e Lauro Crivellaro, além do Bispo Diocesano, Dom Franco Cutter, estão dando adeus à missão que desenvolveram por aqui por décadas.

Dom Franco completa 75 anos no dia 28 de julho e, conforme o Código de Direito Canônico (Cân 401 §1) ele é obrigado a apresentar a sua renúncia do ministério episcopal ao papa. Depois da apresentação da carta, a qualquer momento ele pode deixar a missão de pastor que desenvolveu por 17 anos.

Em vista da saída do Dom Franco da Diocese de Grajaú em breve, os frades capuchinhos já estão praticamente de malas feitas. Neste mês de março eles deixam o município. Frei Lauro vai morar na Barra do Corda; Frei João José em Porto Franco; Frei Luís no Convento do Carmo, em São Luís, para onde posteriormente deverá ir também Dom Franco.

O Jornal Grajaú de Fato ouviu por meia hora Frei Luís Giudici, que explicou por que os frades deixam a Diocese. Com 73 anos de idade, 45 de ordenação presbiteral e 37 anos no Brasil, o italiano ficou em Grajaú pouco mais de três anos. De acordo com ele, os frades estão indo embora porque já cumpriram sua missão na Diocese. Por todo esse período eles foram emprestados pela Congregação dos Frades Capuchinhos.

Novos missionários

Com a saída, os padres nativos, de Grajaú e mais 14 municípios que compõem a Diocese terão que redobrar o trabalho. O despertar de vocações, por sua vez, torna-se mais urgente. “Quando me pediu para vir trabalhar aqui, Dom Franco sonhava que em certo ponto Grajaú tivesse os seus diocesanos. Chegou este momento e agora a Diocese deve assumir os trabalho, já que o bispo deve renunciar até julho. Se isso se confirmar, deverá chegar um novo bispo e não querer os religiosos aqui na sede dele”, disse.

Ao dizer que os diocesanos devem assumir a Diocese, Frei Luís se refere aos padres nativos e, sobre o novo bispo, muito provavelmente já não será mais um capuchinho como Dom Franco e, por isso, não viverá em fraternidade como os seguidores de São Francisco de Assis.

Crescimento

Durante o pouco tempo que Frei Luís passou em Grajaú, diversas obras foram executadas pelos frades, entre elas a igreja Santa Teresinha, na Vila Milton Gomes; um salão e uma quadra de esportes na comunidade São João Batista, na Expoagra, e a capela Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, no Bairro Quem Dera. Isso sem contar as obras de outros frades que por aqui ficaram mais tempo, como o Frei Lauro, por exemplo. Os últimos três anos, segundo Frei Luís, foi marcado por uma crise financeira vivida na Diocese. “Não foi fácil construir essas igrejas; o próprio bispo pediu em determinado momento para pararmos, mas eu atribuo a conclusão das obras à fé do povo e à graça de Deus”, declara o frade, que acompanhava a matriz (Catedral), o Setor Expogra e mais seis núcleos, onde atuava em trabalhos pastorais e sociais, sobretudo com a Pastoral Carcerária.

Com a saída dos franciscanos, diversos aspectos da Igreja em Grajaú deverão sentir, de modo especial os trabalhos sociais: Hospital São Francisco de Assis, que mesmo mantido pela Sociedade São Camilo, tem também o apoio dos frades; a Creche Flor de São Francisco fundada pelo Frei Lauro; a Vila São Marino, organização da Igreja, que atende hansenianos, fundada em 1971 pelo então bispo prelado e também franciscano Dom Adolfo Luís Bossi, dentre outros.

Mensagem

Ao fim da entrevista, Frei Luís deixou uma mensagem aos grajauenses. “Desejo que Grajaú continue o serviço da caridade que é o trabalho mais autêntico e verdadeiro que existe. A caridade recompensa e ajuda muitos. Nos últimos anos a nossa catequese melhorou muito depois que chegou o padre Wesley e a Irmã Francisca; esta que também irá embora no mês de março. A catequese está deslanchando e se modificando e esperamos muito que as crianças, adolescentes e jovens, evangelizem muito mais do que já foi feito até agora em nossa querida Diocese”, sublinhou.

Reportagem publicada na edição 18, do jornal impresso

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