Falar a verdade, claro, não é para todos. Muitos se esforçam, mas acabam contando mentiras involuntariamente. O maior mentiroso de Grajaú, Pedro da Celestina, porém, “pela primeira vez na vida”, contou uma verdade, mas pagou o preço de sempre omiti-la. Na segunda-feira, 27 de dezembro, Pedro [de boné branco, na foto] foi à delegacia de Grajaú pedir justiça. Inconformado com os constantes roubos de galinhas de sua mãe, dona Celestina, ele pediu à polícia a prisão do suspeito dos roubos, José Carlinhos Nascimento Silva, 22, o conhecido “Setenta,” auxiliar de marcenaria, vizinho de Pedro. Queixa registrada, a polícia foi até a casa do suspeito e o encontrou dormindo. Depois de questionado sobre o roubo, “Setenta” confessou ter furtado 12 galinhas e vendido meia dúzia para às mulheres que trabalham na venda de comida no Trevo do bairro Canoeiro. “Setenta” foi levado à delegacia e preso. O hilário é que parece que o sono profundo, fruto de uma noite de trabalho duro nos quintais vizinhos, não o deixou ir para a prisão acordado. Ele aproveitou o pequeno trajeto para dormir mais um pouco. Na delegacia teve de ser acordado. Foi preso, mas seu patrão, senhor Dedé, apareceu no local em busca de respostas sobre a prisão de seu funcionário. Patrão não esperava por essa
Após saber do motivo da prisão, senhor Dedé se deu conta de que suas galinhas também estavam sendo roubadas embaixo de suas próprias barbas. Ele tinha a pouco tempo 30 animais, e aos poucos elas estavam sumindo. Atualmente ele só tinha cinco galinhas. Esperançoso na juventude, o patrão pediu a soltura de seu funcionário. De acordo com a polícia local, o valor subtraído não justifica a permanência de “Setenta” no cárcere. Seu Dedé foi misericordioso e pagou o valor dos animais roubados de dona Celestina. O mais interessante da história é que o rapaz continuará trabalhando para o patrão, “mas só durante o dia”, disse à polícia senhor Dedé. Polícia justifica demora em prender “Setenta” Por ser um mentiroso de mão cheia, a polícia demorou a acreditar na história de Pedro da Celestina. Quando falou a verdade, a polícia ficou com o pé atrás, mas desta vez o pinóquio grajauense ajudou a prender o “little bad boy Setenta”, graças a uma única verdade pronunciada pela sua boca. Mas se não fosse pimenta nos seus olhos, teria o maior mentiroso grajauense dito uma verdade? Texto de Fúlvio Costa