Os relatórios da Controladoria Geral da União (CGU) sobre a aplicação dos R$ 35 milhões R$ 79.475.126,63 em valores corrigidos com aplicação de juros, segundo o sistema de atualização de débitos do Tribunal de Contas da União) que Roseana Sarney recebeu do então ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, para combater os danos provocados pelas enchentes de 2009, revelam supostos desvios envolvendo a ex-governadora e seu amido de PMDB.

Realização de pagamentos indevidos mediante recebimento fictício de obras não realizadas, dispensa indevida de licitação e a pavimentação asfáltica de péssima qualidade, são algumas das marcas registradas pela fiscalização da CGU.

A controladoria calcula que 50,25% dos recursos foram aplicados irregularmente, o que pode obrigar a população maranhense a devolver bem mais do que os R$ 18 milhões (corrigidos) propostos pelo parecer técnico do Ministério da Integração, ao reprovar parcialmente a prestação de contas do referido convênio.

Rua 25 de dezembro em Grajaú: mais um exemplo de obra sarneysista de combate aos danos das cheias de 2009 (Fotos: Divulgação)

Os registros fotográficos da fiscalização in loco (entre novembro e dezembro de 2010) das obras emergenciais de pavimentação urbana em Grajaú dão um trágico exemplo do que foi o governo Roseana no trato do interesse público.

Em Grajaú, a ex-governadora contratou, sem licitação, a Ducol Engenharia, empresa do “primo” Henry Dualibe, para os serviços emergenciais de pavimentação na cidade.

Sem negar o sangue que corre nas veias, a Ducol recebeu à época R$ 120.617,58, sem que tenha colocado um centímetro sequer de asfalto, nem mesmo o sonrisal, nas ruas João Franco e Edson Lobão no bairro Vilinha; 15 de abril, 25 de dezembro e 12 de agosto, todas no bairro Expoagra.

Rua 15 de abril, outra via recuperada pela Ducol que demonstra o respeito de Roseana pela população de Grajaú, especialmente aos moradores do bairro Expoagra (Fotos: Divulgação)

Acrescentando as intervenções irregulares, por não constar do projeto aprovado pelo Ministério da Integração, das vias “Acesso a Universidade Aberta do Brasil” e “Vila Odebrecht”, o prejuízo aos cofres públicos chega a R$ 197.606,20, corrigidos no presente em R$ 404.751,21.

O dano ainda pode ser maior devido a Ducol não ter cumprido o prazo legal de 180 dias para a conclusão das “obras”, a contar da ocorrência do desastre, como estabelece o art.24, IV, da Lei 8.666/1993 para a dispensa de licitação nos casos de emergência ou de calamidade pública.

De acordo com formulário de Avaliação de Danos – AVADAN, a data da ocorrência em Grajaú é de 02/05/2009, obrigando a conclusão das obras até 28 de outubro; o que só ocorreu em 30/03/2010.

O atraso na execução dos serviços, segundo parecer técnico do governo Roseana para tentar justificar a dispensa de licitação no contrato com a Ducol, firmado em 30/09/2009, se deu em função de “alterações ocorridas no plano de trabalho, quando da certificação da real situação, por razões de recorrência de chuvas e dificuldade de contratação de empresa”.

Argumento que a CGU colocou por água abaixo, haja vista que os índices pluviométricos do Instituto Nacional de Meteorologia – INMET não indicam ter havido grandes chuvas na região entre os meses de junho e agosto do referente ano.

Se choveu foi na horta da Ducol, escolhida a dedo para abocanhar R$ 489.500,37 no contrato firmado com o governo da sua família, que nos dias de hoje equivalem a R$ 989.733,26.