Goiânia feminina, jovem e acolhedora, aos 81 anos. Atraídas pelas oportunidades, pessoas de vários Estados e de outros países tornam Goiânia um rico berço de diversidade cultural.
Dos 1,4 milhão habitantes de Goiânia, 47%, ou seja, mais de 614 mil pessoas, correspondem a pessoas que não nasceram na capital de Goiás. Os números são de um estudo feito pelo Instituto Mauro Borges (IMB), com base em dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Os dados mostram que Goiânia completa 81 anos, nesta sexta-feira, 24, se mostrando uma capital acolhedora e de muita oportunidade. O pesquisador em Geografia do IMB, Rui Rocha Gomes, explica que o elevado número de não-nascidos em Goiânia é motivado principalmente por questões econômicas. “A maioria tem menos de 40 anos, portanto, é uma população ativa, que está no mercado de trabalho; isso se explica por que a cidade tem uma economia forte, geradora de empregos”.
Os dados indicam que, do total de não-nascidos, 38% moram na capital há mais de 20 anos e 25% estão na cidade há menos de cinco. A maioria é da Região Nordeste do Brasil, em torno de 39%, seguida pela Região Sudeste, 29%. Mas, confrontados, os números revelam que os mineiros (18%) são a maioria em Goiânia. “Isso se dá por que Goiás e Minas Gerais têm uma relação histórica e culturas muito próximas”, explica Rocha.
Faz parte dessa população de não-nascidos em Goiânia, o paulista Paulo Sérgio Moraes, de 44 anos. Publicitário, ele é gerente de uma empresa de marketing na capital. Há dez anos na cidade, ele deixou São Paulo em busca de uma vida mais tranquila, depois de ter tido o seu carro alvejado por bandidos que perseguiram sua família. “O fato aconteceu em uma avenida movimentada e eu fiquei entre o carro da família e o dos bandidos, mas consegui sair com vida”, conta.
O maranhense Marcos Antonio Marques Cortez, de 44 anos, é outro que encontrou em Goiânia acolhimento e oportunidade de crescimento. O empresário e contador mora na capital há 31 anos e conta que deixou o pequeno município de Grajaú, no interior do Maranhão, aos 15 anos, para trabalhar em um escritório de contabilidade do tio. Seguiu a carreira e hoje tem o próprio escritório, aberto há 15 anos e que hoje emprega 16 funcionários. Para ele, a capital sempre foi uma cidade promissora. “Na época, se ouvia falar mais de Goiânia do que da própria capital do Maranhão, São Luís, e até mais do que Brasília, e eu vim em busca do ouro que tanto se falava na época”, brinca.
Depois de passar as férias em Goiânia, ele disse ter “sentido paixão à primeira vista”. Cortez diz que já aglutinou a cultura goianiense. “Eu amo a música, a culinária e o estilo de vida da capital”. Os três filhos e ex-mulher são goianienses.
Uma cidade boa para brasileiros e estrangeiros 
Além dos brasileiros, existem também estrangeiros que escolheram a capital como lar. São cerca de 3.200 habitantes, segundo o IMB. A maioria veio da Europa (54%), principalmente de Portugal e Espanha, seguidos por norte-americanos (10%), e bolivianos (8%).
O búlgaro Lyubomir Popov, de 41 anos, é músico profissional e compõe a Orquestra Filarmônica de Goiás. Na capital há cinco anos, ele explica que a profissão e “os ares de cidade grande com cara de interior” foram responsáveis por sua escolha. “Quando cheguei ao Brasil, morei primeiro em Cuiabá e Rio de Janeiro, mas gostei mesmo foi de Goiânia, pela tranquilidade, pelas oportunidades e pela arborização, que lembra minha cidade natal.”
O professor de idiomas Peter Reimather, um alemão de 55 anos, adotou a capital em 1987. Ele veio assistir a uma corrida de motos e decidiu ficar. “É uma cidade boa para se viver e que vem crescendo muito junto com as oportunidades”, frisa.