*Fúlvio Costa

O furo de reportagem do Jornal Folha de São Paulo veiculado nesta quinta-feira, 9, reproduzido nos principais jornais do país, que dá conta de que a Fundação José Sarney recebeu 1,3 milhão de reais da Petrobras, não saiu em nenhum veículo de comunicação da família Sarney, no Maranhão.

A matéria de capa do Jornal O Estado do Maranhão é: “Polícias unem forças para combater assaltos no MA”. Da mesma forma, a matéria em destaque do portal Imirante, empresa apontada como uma das beneficiadas do dinheiro da Estatal é: “Próxima novela das seis será gravada no MA” (edição das 10h50).

De acordo com a Folha de São Paulo, a TV Mirante e duas emissoras de rádio, a Mirante AM e a Mirante FM, de propriedade da família Sarney, receberam cerca de R$ 30 mil a título de veiculação de comerciais sobre projeto fictício.

Tais fatos, se não veiculados no estado, são caracterizados como censura à população maranhense e reafirma a posição tendenciosa dos meios de comunicação da família Sarney. Percebe-se que a defesa do interesse familiar é prioridade no Maranhão.

Meses atrás, porém, quando se desenrolava o processo de cassação do então governador Jackson Lago foi totalmente diferente. Toda a mídia Sarney entrava diariamente com destaque sobre o envolvimento de Lago em ilegalidades.

Destaque para o jornalista grajauense Marcial Lima de Arruda, que, em seu programa semanal, Domingo Mirante [Rádio Mirante AM], durante o governo passado, sempre tinha algo a dizer sobre o trabalho de Lago. Se havia ruas com buracos na capital maranhense, lá estava o irmão de nosso prefeito a denunciar, dizer que no governo de Roseana não era assim, que Lago não desenvolvia um bom trabalho, que os Sarneys são o melhor para o Maranhão.

É triste e lamentável ver que a imprensa maranhense é amordaçada em detrimento da cidadania de sua população que, sem generalizar, acredita veemente no atual governo como o melhor para o estado.

SALVOS PELA OPOSIÇÃO
“Fundação Sarney deu verba a empresas fictícias” e “Fundação Sarney desvia verba recebida da Petrobras”, respectivamente chamadas de destaque nos portais dos jornais O Imparcial e Pequeno, salvam a imprensa do Maranhão. Os jornais reproduziram a corrupção que é o assunto do dia no país. Pelo menos se pode dizer que há jornais no estado não coniventes com a situação do presidente do Senado, pai da governadora do estado.

A posição da mídia da mídia Sarney sobre um fato de tamanha importância para o estado abre um debate: até que ponto a Mirante informa o Maranhão? Estamos sendo informados ou desinformados? Os jornais do pai da governadora têm a pretensão de trabalhar pela formação, educação, informação ou se revestir do poder e influência dos meios de comunicação em prol de interesses particulares?

*Fúlvio Costa, grajauense, acadêmico do último semestre de jornalismo pela Universidade Católica de Brasília (UCB)

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