A 2 km da zona urbana, à margem direita do Rio Grajaú, está a Vila São
Marino, uma instituição da Igreja Católica fundada em 19 de março (Dia
de São José) de 1971, quando era bispo da Prelazia de Grajaú, dom Adolfo
Luís Bossi.
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Leva o nome de São Marino porque Mama
Lúcia, fundadora do Instituto Secular de leigas Consagradas, Voluntárias
da Caridade, ganhou um anel de um bispo na Itália e o leiloou. O maior
lance foi dado pela República de San Marino, naquele país, que revestiu
parte do dinheiro na construção da vila que tem como principal função
cuidar de hansenianos em Grajaú.
Hoje, 42 anos depois, a Vila continua a realizar o seu trabalho inicial
levando o conforto e o amor àqueles que mais precisam. Além de
hansenianos, o São Marino acolhe também pacientes com diversas doenças
de pele, como feridas venosas e diabéticas. Pessoas que não têm onde se
hospedar, também são bem-vindas. A vila oferece espaço e apoio para a
pessoa ir e vir ao posto de saúde para fazer o seu tratamento.
Coordena os trabalhos da Vila há 12 anos,  Maria
Lizete de Jesus Santos, leiga consagrada ao Instituto das Voluntárias
da Caridade. Lizete é baiana de São José das Matas e pós-graduada em
gestão em saúde. Um dos seus primeiros trabalhos, assim que chegou ao
São Marino, foi alavancar o projeto da panificadora que hoje vende pães
para instituições e empresas de Grajaú e tem o faturamento de R$
2.000,00 (dois mil reais) por mês. É pouco para a quantidade de
trabalhos que a vila desempenha e para cobrir as despesas.
O São Marino atende pessoas dos mais diversos estados. Segundo Lizete,
há pessoas do Maranhão, do Pará, Mato Grosso, que recebem informações do
tratamento oferecido pela Vila. O que encontram é um trabalho oferecido
com qualidade que supera as expectativas. “Apoiamos pacientes que vêm
de muito longe. As informações correm e as pessoas não hesitam em vir
conferir, acabam gostando e retornam”, conta.
Há também pessoas mais próximas, que têm um histórico longo de
tratamento na Vila como é o caso de José Inácio de Carvalho, 70 anos,
que mora em Vitorino Freire (MA) e conhece o lugar desde 1983 quando
recebeu tratamento pela primeira vez. Ele é portador da Hanseníase. “O
tratamento do São Marino é muito bom, nunca vi igual. Já fui a diversos
hospitais em várias cidades, mas não tive resultados positivos. Aqui é
um lugar abençoado”, conta.
Marizete
Alves da Silva, 56, também elogia o tratamento. Ela diz que chegou a
acreditar que teria o pé amputado de tão grave que era sua situação.
Primeiro recorreu aos hospitais de Grajaú, sem êxito, pois as feridas só
aumentavam. Sua situação começou após ela sofrer um acidente de moto há
pouco mais de seis meses. Uma ferida se criou e só aumentou.
“Passei mais de dois meses indo ao hospital, mas o ferimento só
piorava. Já estava numa situação de mau cheiro, na carne viva. Cheguei a
pensar que teria o pé amputado, mas encontrei o São Marino e agora
estou quase sarada”, disse. “O amor aqui é visível. Estou muito
satisfeita, pois a nossa enfermeira, a Elisana, faz o trabalho por amor e
cuida da gente muito bem”, afirma elogiando a técnica em enfermagem da
Vila, Elisana Viana de Oliveira, que trabalha no lugar há cinco anos.
A entidade tem tido a colaboração da população grajauense, segundo
Lizete, mas é preciso levar ao conhecimento de mais pessoas. “A boa
vontade é muito bem-vinda. Temos, por exemplo, a Dr. Ana Riso que atende
aqui na Vila e nos dá total liberdade de levar pacientes ao seu
consultório; há pessoas também que depositam dinheiro para que possamos
continuar os nossos trabalhos”, agradece.

Desafios
A
parte financeira é um ponto superado mês a mês na Vila São Marino. Como
acolhe pessoas todos os meses, seja para passar temporada ou para ser
tratadas por um longo período, o dinheiro precisa ser devidamente
calculado para que se consiga realizar a missão que desempenha junto à
pessoa humana. “Não falta o dinheiro, mas temos dificuldades e nós
contamos com os benfeitores para que não deixem de colaborar”, diz
Lizete que disponibiliza uma conta bancária àqueles que querem colaborar
com qualquer valor. O dinheiro cai na conta da Diocese de Grajaú, mas é
revestido ao São Marino.

Bradesco
AG 723-4
Conta Corrente 9322-9
Diocese de Grajaú
As pessoas também podem doar alimentos na própria Vila.

Apoio e perspectivas
Estudantes do curso de Serviço Social da Uniderp desenvolvem um projeto
para que 0,05% do Fundo de Participação do Município (FPM) seja
revestido à Vila São Marino. O projeto, depois de concluído, precisa
passar pela Câmara Municipal de Vereadores. Se aprovado, o equivalente a
R$ 15.000,00 (quinze mil reais) será destinado ao São Marino. Outro
projeto é desenvolvido junto aos bancos, para que contribuam através de
seus funcionários, clientes e associados. “Eu acredito em nossos
vereadores e tenho certeza que esse projeto será aprovado. Também
acreditamos que os bancos podem muito bem fazer esse trabalho social”,
torce Maria Lizete.

MATÉRIA PUBLICADA NO JORNAL IMPRESSO, EDIÇÃO Nº 3